Mais uma morte no Sistema Petrobrás

No último sábado, 03 de julho, mais um trabalhador terceirizado do Sistema Petrobrás foi vítima de acidente fatal. Desta vez, a política de insegurança da empresa matou o petroleiro do setor privado Damião Ferreira de Lima, 32 anos, que trabalhava há 15 anos na Província Petrolífera de Urucu, no Amazonas. Ele era auxiliar de operação da empresa Parente Andrade, que presta serviços para a Petrobrás naquela unidade.

O acidente ocorreu quando o trabalhador encontrava-se próximo ao equipamento de lançamento de PIG. Durante a despressurização da câmara do lançador, a tubulação de drenagem ricocheteou e o atingiu fatalmente na região da cabeça.

É a terceira morte este ano com trabalhadores nas unidades da Petrobrás. Em março e maio, dois trabalhadores da Bahia foram vítimas da política de insegurança da empresa: um na Rlam (Mataripe) e outro na Estação de Imbé/OP-AR (Araças).

De 1995 até 2010, foram registradas 283 mortes por acidentes de trabalho no Sistema Petrobrás, das quais 228 com trabalhadores terceirizados. A FUP e seus sindicatos têm denunciado as situações de riscos a que são expostos constantemente os petroleiros, em conseqüência de decisões gerenciais que sempre priorizam o lucro e a produção, em detrimento da segurança.

Enquanto a Petrobrás faz marketing com o SMS, os trabalhadores perdem a vida. Os gestores da empresa agem como se estivesse tudo na mais perfeita ordem e continuam permitindo omissões e subnotificações de acidentes, menosprezando ocorrências graves e negando-se a atender ou mesmo a discutir com mais empenho as reivindicações da FUP.  

Segurança é prioridade

A luta por um ambiente de trabalho seguro e saudável deve ser coletiva e priorizada por todos petroleiros, próprios e terceirizados. O direito de recusa é garantido em acordo coletivo, através da cláusula 21, e é um instrumento poderoso para se contrapor à política de insegurança da Petrobrás. As emissões e acompanhamentos de Permissões de Trabalho (PTs) devem ser realizados com absoluto critério, seguindo as regras e normas de segurança previstas na legislação e nos próprios procedimentos internos da empresa, que quase sempre são manipulados e atropelados pelas gerências. As CIPAs e as Comissões Locais de SMS são também fóruns importantes de cobrança e pressão que devem ser fortalecidos pelos sindicatos e trabalhadores.

 

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1 Response to “Mais uma morte no Sistema Petrobrás”


  1. 1 Alves julho 6, 2010 às 12:04 am

    A conjunção de alguns fatores, dentre os quais a omissão criminosa do Sindipetro-PA na averiguação das denúncias apresentadas, a conivência dos gerentes da OP-AM, o silêncio leniente dos gerentes de contrato quanto aos desmandos das empreiteiras, contribuem decisivamente para a repetição absurda desses acidentes.
    O colega morto é lotado no regime administrativo, não recebe qualquer adicional de campo nem mesmo o adicional de confinamento pago aos trabalhadores Petrobras. A empresa PA à qual ele servia é campeã em não conformidades. As denúncias de descumprimento de contratos avolumam-se nas conversas de corredores e infelizmente não chegam às instâncias superiores. É deprimente e revoltante saber que os acontecimentos ocorridos no Urucu serão apenas notinhas de pé de página nas publicações sindicais, e classificados como assuntos exóticos que serão comentados nas mesas dos bares nos intervalos dos congressos da categoria.


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