A foto de Collor e a máscara da mídia

A decisão do presidente do Senado, José Sarney, de retirar as fotos do impeachment de Fernando Collor do “túnel do tempo”, o corredor no Congresso Nacional que resume a história do Brasil em textos e imagens, está gerando uma baita gritaria da mídia. A crítica até é justa.

Por Altamiro Borges

Afinal, pela primeira vez o povo na rua, em memoráveis manifestações, derrubou um presidente corrupto e adepto do desmonte neoliberal. Nada justifica que este fato histórico fique de fora do “túnel do tempo” – a não ser o compadrio e o “cretinismo parlamentar”.

Os criadores do “caçador de marajás”

Mas, também neste canhestro episódio, fica patente a hipocrisia da mídia. Afinal, foi ela quem fabricou a imagem do “caçador de marajás”, pavimentando a vitória de Collor na polarizada eleição de 1989. Primeiro na revista Veja, depois nos jornalões e na sequência, massivamente, nas emissoras de televisão, produziu-se uma brutal manipulação para evitar a vitória de Lula.

O “túnel de tempo” deveria, inclusive, incluir fotos das capas destas publicações e vídeos do período para ajudar a desmascarar o sinistro papel da mídia na história recente do país. Um vídeo indispensável seria o do famoso debate televisivo entre Collor e Lula, descaradamente manipulado pela TV Globo na reta final da eleição para beneficiar o dono da afiliada desta empresa em Alagoas.

Não há ingênuos na imprensa

A gritaria da mídia contra a retirada das fotos do impeachment não é ingênua. Visa insinuar que o Brasil, agora sob o comando de Dilma Rousseff, é conivente com a corrupção. Eliane Cantanhêde, articulista da Folha que tem “afetivas relações” com os caciques tucanos, não esconde este intento. No texto “Caem a foto e a máscara”, ela aproveita o episódio para atacar o atual governo.

“O Brasil reescreve a história, apaga vestígios de moralismo, recria pessoas e maquia ou apaga fotos ao velho jeitão stalinista… Impera o que mais se temia desde a redemocratização: a sensação de que são todos iguais”, alfineta a “calunista”, que deixou de citar que seu amigo FHC quase virou ministro de Collor e que a direita atual deu sustentação ao “caçador dos marajás”.

Falso ceticismo da calunista

Ao final, a marota Cantanhêde afirma que, na luta pelo impeachment de Collor, “nós, os jornalistas, caímos no conto da ética; e os cara-pintadas eram só massa de manobra. Nada disso se repetirá. Os novos Collor podem ficar sossegados”. Posando de cética, ela só falta propor um novo movimento de rua pelo impeachment de Dilma Rousseff, já que todos os “governos parecem iguais”.

“Com Dilma, como foi com Collor, a (o) presidente não tem traquejo político e parece engolida (o) pelos aliados, antes que pelos adversários. Com Dilma, como foi com Sarney, tudo corre solto e a (o) presidente parece à sombra de quem de fato manda”. Em síntese, o canhestro episódio da foto de Collor revela como muitos, principalmente na mídia, temem a história e manipulam os fatos históricos.


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