O exemplo do Chile: 120 mil pessoas dizem não ao ensino privado!

Além dos últimos protestos que alguns países da Europa tem protagonizado nos últimos meses, agora, o Chile também voltou a ser cenário de reivindicações populares legítimas.

Na última semana, mais de 120 mil pessoas foram às ruas de Santiago, para lutar pela volta da gratuidade da educação pública para os setores de menor renda da população. A marcha foi organizada pelo movimento estudantil, que exige uma reforma estrutural no modelo educacional vigente no Chile há mais de 30 anos.

Infelizmente, os estudantes chilenos, por se posicionarem desta forma, são marginalizados e chamados de terroristas pela grande parte da imprensa local e internacional. A luta do movimento estudantil se mescla com a dos trabalhadores do setor de mineração do cobre, do desempregados, dos ecologistas, entre outros milhares de trabalhadores cansados dos abusos de um governo de direita que não os representa.

Desde o nascimento dos protestos iniciados há dois meses, esta foi a sétima ocupação realizada em colégios e universidades do Chile, que apesar das dificuldades impostas pelo próprio governo, desta vez ganhou apoio de 80% da sociedade. O grande exemplo de suporte dado ao movimento formado por jovens não pertencentes a nenhum partido político, foi a participação de alunos de colégios privados de setores mais acomodados de Santiago. Além disso, professores, trabalhadores públicos e dirigentes de sindicatos empresariais somaram-se à manifestação, prestando solidariedade aos estudantes reprimidos pelo governo de Sebastian Piñera. Durante a marcha, mais de 600 jovens foram detidos, por não acatarem a estratégia das autoridades, que de forma truculenta, não autorizaram a realização da mobilização.

O eixo das reivindicações é a mudança de uma demanda estrutural que foi bloqueada por décadas, desde o governo militar, passando pelos governos da Concertação, até a década de 90, quando o Chile retornou à democracia. Se compararmos a situação dos estudantes Chilenos com a dos brasileiros, a gravidade do problema torna-se o mesmo, apenas com uma pequena diferença: o esgotamento da paciência dos cidadãos.

No Chile, os bancos são os grandes protagonistas na histórica do lucro na educação, porque com o papel subsidiário do Estado, imposto por Pinochet, o setor financeiro privado pode administrar os recursos fiscais aplicados em uniformes para os jovens, mas com a cobrança adicional de juros mensais superiores inclusive aos cobrados sobre créditos imobiliários.

Atualmente, mais de 100 mil estudantes encontram-se em situação de inadimplência, com uma dívida média de 2.700.000 milhões de pesos chilenos (mais de US$ 5.000). Em um país em que mais de um milhão de pessoas recebe por mês salários mínimos de US$ 377, é perfeitamente possível entender como os mais pobres ficam fora da universidade, enquanto que as classes medidas ficam empobrecidas por décadas.

No Brasil, a educação de base está em crise há muitos anos, porém, os cidadãos acostumaram-se à condição de que só é possível ter ensino de qualidade, pagando muito caro. O ensino público brasileiro encontra-se em estado de falência, e isto não é novidade para ninguém. Quem pode paga, quem não pode, torna-se analfabeto funcional.

Nas universidades federais, apesar do recente sistema de cotas e, de programas educacionais como o PROUNI (Programa Universidade Para Todos), o acesso ao ensino superior continua restrito aos que tiveram a oportunidade de estudar em bons colégios, conceituados, que os prepararam para o “justo vestibular”. Paralelamente, a industria do ensino continua crescendo, com grande adesão de uma parcela menos favorecida da sociedade, que a duras penas, trabalha para pagar absurdas mensalidades que, na maioria dos casos, são obrigados a interromper o curso, por dificuldades financeiras.

Por hora, enquanto os professores da rede estadual do Rio de Janeiro estão acampados em frente à Secretaria Estadual de Educação, reivindicando melhores salários (Reajuste de 3,5%) e condições dignas de trabalho, a sociedade continua inerte, aguardando talvez, que algum milagre aconteça e torne seus filhos cidadãos de bem, instruídos, prontos para o mercado de trabalho de um país que cresce em grande escala econômica, mas continua estagnado em sua necessidade básica: educação.

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1 Response to “O exemplo do Chile: 120 mil pessoas dizem não ao ensino privado!”


  1. 1 sabrinaaquino agosto 15, 2011 às 3:58 pm

    A Amèrica Latina está se mobilizando e mais efervecente do que nunca. E nós brasileiros, até quando vamos aturar que o governo faça as coisas a sua maneira???


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