Cúpula dos Povos dá o tom do debate na Rio+20

Homens e mulheres de várias regiões do planeta, trabalhadores do campo e da cidade, estudantes, indígenas, quilombolas, ambientalistas e tantos outros militantes sociais tomaram as ruas do Rio de Janeiro evocando um modelo de desenvolvimento sustentável, solidário e com justiça social.  Ao lado das delegações internacionais, mais de 20 mil brasileiros de diversos estados do país transformaram a Cúpula dos Povos no principal centro de debates da Rio+20. Plenárias, assembleias e diversas manifestações denunciaram as reais causas das crises econômica e ambiental, repudiaram a alternativa capitalista de economia verde e cobraram dos governantes e da sociedade um basta à mercantilização da vida e dos bens naturais.

Se nos salões fechados da Conferência das Nações Unidas os chefes de Estado, diplomatas e governantes recusaram-se a assumir metas e compromissos em defesa da vida e do meio ambiente, nas tendas abertas da Cúpula dos Povos, milhares de representantes dos habitantes do planeta deixaram claro que o atual modelo econômico faliu e não poderá ser reconstruído sob os mesmos parâmetros excludentes, que minimizam o papel do Estado e mercantilizam os recursos naturais. As soluções apontadas pelas Assembleias dos Povos serão apresentadas ao secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, e transformadas em uma agenda unificada e permanente de lutas.

Petroleiros foram representados pela FUP

Ao lado da CUT e da CTB, a FUP participou de diversas atividades da Cúpula dos Povos, debatendo a agenda dos petroleiros e do movimento sindical classista. A Federação esteve presente às manifestações públicas, como a Marcha dos Povos, que ocupou a Avenida Rio Branco com mais de 50 mil pessoas no dia 20; debateu a importância da soberania energética com sustentabilidade ambiental; ratificou seu apoio à libertação dos cinco ativistas cubanos presos nos EUA, assinando a carta encaminhada ao presidente norte-americano durante a Rio+20; participou do painel “Disputas de hegemonia nos espaços públicos de controle social e democracia participativa”, ressaltando a importância do projeto Mova Brasil, entre outras atividades.
Em suas intervenções durante a Cúpula dos Povos, o coordenador da FUP, João Antônio de Moraes, ressaltou que a defesa do meio ambiente faz parte da pauta dos petroleiros, destacando a luta histórica da categoria contra a privatização dos bens naturais e a mercantilização da energia. Ele destacou que a insegurança na indústria de petróleo está diretamente ligada à “lógica do capital”, citando acidentes como o da P-36, do Golfo do México e o recente vazamento provocado pela Chevron no Campo de Frade, na Bacia de Campos.  “A unidade dos trabalhadores do campo e da cidade é fundamental na construção de propostas que possam garantir um novo modelo de produção, com sustentabilidade e controle da sociedade sobre os recursos naturais”, revelou.

Assembleia Sindical

Centenas de representantes de 66 organizações sindicais de todo mundo anteciparam os debates da Cúpula dos Povos, discutindo a pauta da classe trabalhadora durante a II Assembleia Sindical sobre Trabalho e Meio Ambiente.  Nos três dias de debates que antecederam a Rio+20, os sindicalistas reforçaram a importância de um modelo de desenvolvimento sustentável que vá além da questão ambiental e aponte mudanças sociais, econômicas e políticas que garantam justiça social e o fim da exploração capitalista. A CUT foi uma das principais entidades articuladoras da Assembleia Sindical, junto com a Central Sindical das Américas (CSA), a Federação Sindical Mundial (FSM) e a Central Sindical Internacional (CSI).  Os debates foram ampliados durante a Cúpula dos Povos, onde a CUT e as centrais internacionais organizaram diversos eventos na Tenda Florestan Fernandes, que mobilizou 10 mil militantes cutistas de várias regiões do país.

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